MARUJADA de SÃO BENEDITO – Amazônia Bragantina / PARÁ

Marujadas de Quatipuru e Bragança – acervo de fotos Mana-Mani, Raio de Sol e Maria Pretinha / Marujada de Quatipuru, e Marujada de Bragança.

A Marujada de São Benedito é uma bicentenária expressão cultural originária da  Zona Bragantina /PA – nossa Guiana Amazônica (entre as regiões Norte e Nordeste do Brasil, na Costa Atlântica), a partir de sua sede, município de Bragança, onde a Irmandade de São Benedito – realizadora das primeiras Festas da Marujada, foi fundada em 03 de Setembro de 1798, congregando a comunidade negra bragantina, à época em condição escravizada pelos senhores-colonos portugueses; além de Bragança (cujo território da zona rural – campos, praias e colônias-, no passado, abrangia toda a vasta zona bragantina),  outras cidades e comunidades rurais (cujos territórios foram desmembrados de Bragança –  desde 1879/Quatipuru), também são palco desta manifestação em louvor ao Santo Preto:

  • Quatipuru – duas Marujadas na sede, e uma na Vila Boa Vista;
  • Primavera – uma Marujada na sede;
  • Capanema – uma Marujada na sede, outra em Tauari;
  • Traquateua – uma Marujada na sede, outra em Vila Fátima;
  • Augusto Correa – uma Marujada na sede, outra na praia de Araí.

Reunindo elementos estéticos-identitários  de povos dos quatro cantos do mundo, transcriados no processo histórico cultural da região bragantina por seus protagonistas (indígenas tupinambás, franceses, portugueses açorianos, ciganos espanhóis, africanos bantus, italianos, árabes africanos, brasileiros emigrantes da região nordeste – em especial do maranhão e ceará…),  a Marujada reúne cantos, ladainhas, danças, músicas, folias, louvações, vestuários, culinárias, cortejos de marujas, cavalhadas e brincadeiras de mascarados, além de tantos outros aspectos multiculturais, a depender do local onde se manifesta, compreendendo dois grandes ciclos:

  • a “Circulação da Comitiva do Santo”, entre Abril e Dezembro – pelos campos, praias e colônias de toda a região bragantina/PA; um auto ritualístico de rezas e cantorias dos Foliões de São Benedito – alvoradas, folias, louvações, ladainhas… em cheganças, permanências e despedidas nas casas dos promesseiros, e andanças por terra, rios, mares e florestas, com as bênçãos do Glorioso Santo Preto;
  • e a “Festa da Marujada” – Danças, Cortejos, Cavalhadas, Brincadeiras de Mascarados…, em Dezembro – 18 a 27, a partir da chegada da Comitiva do Santo em cada uma de suas cidades e vilas festeiras.

As Marujas, lideradas por uma Capitôa, são as grandes protagonistas da Marujada, no mês de dezembro, com suas saias rodadas nas cores azul e vermelho carmim;  batas brancas rendadas, adornadas com muitos colares; e  chapéus de penas brancas de pato com um véu de fitas multicoloridas. Nas Ruas, as marujas seguem em cortejo, no ritmo da Roda-Lundu; e no  Barracão, marujas e marujos dançam o ciclo completo das  danças ritualísticas da Marujada: Roda-Lundu de Marujas, Retumbão, Chorado, Mazurka, Xote, Valsa,  Peru/Carimbó (em Quatipuru e Primavera),  ContraDança (Bragança) e Bagre (Primavera); após este ciclo-ritual de danças, em Quatipuru, acontece um grande baile de Carimbó, pra todo o povo dançar até dizer chega! Em Bragança, a festividade encerra-se com uma Grande Roda de Marujas abraçando a Igreja de São Benedito, dançando ao som de Lundum, ritmado por Tambores e Rabecas, sob a contemplação e encantamento do grande público, às margens do Rio Caeté, com as Bênçãos do Glorioso Santo Preto.

Além da Marujada e Carimbó, as culturas tradicionais vivas da amazônia bragantina contemporânea, outras manifestações foram bastante expressivas nesta região de fronteira norte-nordeste, destacando-se as Brincadeiras de Boi-Bumbá, Pássaros e Peixes Juninos; Serra-a-Velha; Ching-Ching/Dança do Pau de Fita; Tum-dum-dum/Dança Masculina de Bastões; Folias de Reis; e Festas do Divino Espírito Santo, dentre outras.

Vídeo Clip “Cortejo de Marujas” – Quatipuru / 2006:

Vídeo Clip “Procissões de São Benedito” – Bragança / 2008:

Vídeo Clip “Procissão de São Benedito – Marujada de Bragança – 2013”:

Vídeo Doc “Beneditos”:

Saiba mais:

016                                                

Aiê rosa branca, oh iá

Deixa eu louvar meu Santo

Que é o nosso Salvador

Onde está São Benedito

Todo coberto de flor oh oh

Todo coberto de flor, oh oh oh oh oh iá

Se alegra irmão devoto

Quando ouvir som de tambor

É uma hora de alegria

Quando chega o Salvador, oh oh

Quando chega o Salvador, oh oh oh oh oh iá

Aiê rosa branca, oh iá

Ele vem com alegria

Com todo seus cantador oh oh

Os devotos se alegram

Quando eu canto em seu louvor, oh oh

Quando eu canto em seu louvor, oh oh oh oh oh iá…

(uma das muitas “Folias-Louvação de São Benedito”, entoada por seus “Foliões” – Comitiva de Circulação de São Benedito na Zona Bragantina, repassada pelo Mestre-Folião Raimundo Borges – Quatipuru, à Maria Esperança / Mana-Mani, em Belém, 10 ago 2014; foto do Mestre Raimundo e Bené cantando pra São Benedito, de Brenda Nunes – Quatipuru, Festividade 2014).

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